Centro Espírita André Luiz
Centro Espírita André LuizCentro de Estudos e Assistência Espiritual · IEDC · FEP
Jesus, Allan Kardec, Chico Xavier e benfeitores da Espiritualidade diante de uma cidade espiritual
Diretriz e inspiração doutrinária: o Evangelho de Jesus e a Doutrina Consoladora

Ponta Grossa · Paraná

Estudo, consolo e caridade à luz do Evangelho de Jesus

Somos uma casa espírita de portas abertas. Palestras, passe e diálogo fraterno são gratuitos e não exigem inscrição. Venha como estiver.

R. Ataúlfo Alves, 380 · Estrela · Ponta Grossa/PR

Hoje no Centro

Carregando…

    Mensagem do dia

    “Fora da caridade não há salvação.”

    Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV

    Primeira vez aqui?

    Como é chegar a uma casa espírita

    Não há rituais, imagens nem cobrança de qualquer tipo. Tudo o que fazemos segue o Evangelho e as obras de Allan Kardec.

    Chegue alguns minutos antes

    Escolha um horário de palestra na agenda. Um trabalhador da casa vai recebê-lo na entrada.

    Ouça a palestra

    Cerca de uma hora de estudo do Evangelho, sempre aberta com uma prece e encerrada com outra.

    Receba o passe

    Uma transmissão de energias em silêncio e prece. Dura poucos minutos e não envolve manifestação de Espíritos.

    Converse, se precisar

    O diálogo fraterno é uma escuta reservada e confidencial. É a porta de entrada da casa para quem passa por dificuldades.

    Agenda semanal

    Atividades abertas ao público

    Toque em um dia para filtrar. O dia de hoje aparece destacado.

    Não há atividades às quartas-feiras e aos sábados.

    Palestras públicas

    Quem fala nas próximas semanas

    Palestras abertas a todos, sempre seguidas de passe. As datas que já passaram saem da lista sozinhas.

    Quintas-feiras 20h

      Domingos 10h

        Atendimento fraterno

        Peça ajuda ou ofereça a sua

        Preencha o pedido e envie pelo WhatsApp. A mensagem já sai pronta, e você confere tudo antes de enviar.

        Estudos e cursos

        Um caminho de estudo, passo a passo

        Seguindo o Regimento Interno, o estudo vai do mais simples ao mais complexo. Quem chega começa pelo Evangelho e avança conforme a frequência e a avaliação do monitor. Todas as turmas são gratuitas.

        Etapa 1

        Estudo do Evangelho

        Leitura e vivência dos ensinos morais de Jesus. Segundas, 20h às 21h15.

        Etapa 2

        ESDE

        Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, a partir das cinco obras básicas. Segundas, 20h às 21h15.

        Etapa 3

        Estudo e Prática da Mediunidade

        Teoria e educação da mediunidade com base em O Livro dos Médiuns. Segundas, 20h às 21h15.

        Quintas · 19h · aberto a todos

        Estudo de O Livro dos Espíritos

        Roda de conversa pública sobre as questões da obra que deu início à Codificação.

        Sextas · 19h

        Estudo Sequencial do Evangelho

        Palestra que percorre O Evangelho segundo o Espiritismo capítulo a capítulo, seguida de passe.

        Volta em 2027 · última quinta do mês · 20h às 21h

        Projeto L.A.R.E.S.

        Clube do livro em formato de seminário. Retorna em 2027. Nesse dia, o Projeto ocupa o horário da palestra das 20h. O estudo de O Livro dos Espíritos, às 19h, é mantido.

        Segundas 20h · Domingos 10h

        Evangelização infantil

        Para crianças de 3 a 12 anos, com histórias, artes e canções, enquanto os pais participam das atividades.

        Domingos · 10h

        Mocidade Espírita

        Jovens de 13 a 21 anos conversam sobre os desafios da idade à luz do Evangelho e da Codificação.

        O que é o Espiritismo

        A Doutrina codificada por Allan Kardec

        “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”

        Allan Kardec, O que é o Espiritismo (1859), preâmbulo

        Ciência

        Observa os fatos mediúnicos e as leis que regem a relação entre o mundo material e o espiritual.

        Filosofia

        Responde às perguntas de sempre: de onde viemos, para onde vamos, por que sofremos.

        Moral

        Retoma o Evangelho de Jesus como roteiro de vida, pela caridade e pela reforma íntima.

        • Existência de DeusInteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
        • Imortalidade da almaO Espírito existe antes do nascimento e sobrevive à morte do corpo.
        • ReencarnaçãoMúltiplas existências para o progresso moral e intelectual.
        • Lei de causa e efeitoSomos livres para agir e responsáveis pelo que semeamos.
        • Pluralidade dos mundos habitadosO Universo é povoado por mundos em diferentes graus de adiantamento.
        • Comunicabilidade dos EspíritosO intercâmbio entre os dois planos pela mediunidade, faculdade natural do ser humano.

        Pergunte a Kardec

        Busque nas obras da Codificação

        Digite uma palavra ou uma dúvida e veja os trechos das obras de Allan Kardec onde o assunto aparece, com a referência exata para consultar no livro.

        Experimente:

          Traduções: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e A Gênese por Guillon Ribeiro (FEB); O Céu e o Inferno por Manuel Quintão (FEB); O Evangelho segundo o Espiritismo por Karine Rutpaulis (Mundo Maior); Obras Póstumas em linguagem simplificada, adaptação de Louis Neilmoris. A busca mostra o texto das obras e não substitui o estudo completo nem o diálogo fraterno.

          Para levar para casa

          Como fazer o Evangelho no Lar

          Uma vez por semana, em dia e hora fixos, reúna a família. Bastam uns 30 minutos.

          1. Sentem-se à mesa e coloquem uma jarra de água para ser fluidificada.
          2. Façam uma prece simples, com as próprias palavras.
          3. Abram O Evangelho segundo o Espiritismo ao acaso e leiam um trecho.
          4. Conversem sobre o que foi lido e como aplicar no dia a dia.
          5. Encerrem com uma prece de gratidão e bebam da água fluidificada.

          Querem fazer agora? O roteiro abaixo conduz a família passo a passo, com o trecho do Evangelho já escolhido.

          Leituras e acervos

          Para estudar em casa

          Fontes sérias e gratuitas para aprofundar o estudo. Os links abrem em nova aba.

          • O Livro dos Espíritos1857
          • O Livro dos Médiuns1861
          • O Evangelho segundo o Espiritismo1864
          • O Céu e o Inferno1865
          • A Gênese1868

          Guarda Mirim · IEDC

          Escola de Guardas Mirins “Tenente Antônio João”

          A primeira obra do Seu Barros e a casa irmã do Centro André Luiz. Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social participam, no contraturno escolar, de atividades culturais, esportivas e educacionais. As famílias também recebem acompanhamento.

          • Trabalhar
          • Estudar
          • Progredir
          Cartaz da campanha: Seja o padrinho ou madrinha de um ou mais guardas mirins nesse Natal. Contribua com um Pix de R$ 50 para o presente de cada guarda mirim apadrinhado.

          Campanha de Natal 2026

          Seja padrinho ou madrinha de um guarda mirim neste Natal

          Com um Pix de R$ 50 você garante o presente de Natal de um guarda mirim. Pode apadrinhar quantos quiser.

          Chave Pix (e-mail)
          financeiro@iedcpg.com.br
          Prazo
          Até 9 de dezembro
          Envie o comprovante
          Cristiane Mayer, gerente geral
          (42) 99104-8037
          Enviar comprovante pelo WhatsApp
          1965fundação, com o IEDC
          +420crianças e adolescentes atendidos
          6 a 17anos de idade
          Contraturnoescolar, sem custo para as famílias

          O que os guardas mirins fazem

          • Educação e cidadaniaFormação em ética, convivência e valores, complementando a escola.
          • EsporteAtividades físicas e trabalho em equipe.
          • CulturaMúsica e apresentações, como o concerto dos 60 anos no Teatro Marista.
          • FamíliaAcompanhamento das famílias dos atendidos.
          • Padaria e produtos orgânicosPães e produtos orgânicos da Guarda Mirim. Veja no @guardamirimiedc.

          Agenda de atividades

          A programação será publicada em breve.

          Aqui vão aparecer os encontros, solenidades, formaturas e campanhas da Guarda Mirim. Enquanto isso, acompanhe as novidades no Instagram da Guarda Mirim.

          Seguir @guardamirim.iedc

          Pioneiros da Guarda Mirim

          O Quartel-Escola “Ten. Antônio João” e quem o ergueu

          A sede própria da Guarda Mirim foi construída em quatro anos de trabalho das senhoras da Casa da Amizade, com o apoio do Rotary Clube. Numa manhã de festa, com os meninos em formação, as famílias, as autoridades e grande parte da comunidade, a Dra. Olga Fachim, representando a Casa da Amizade, entregou as chaves do Quartel-Escola ao Dr. Alfredo Bertoldo Klass, representante do IEDC. Seu Barros lembrou o momento assim:

          “Abrimos a porta e entramos com um grupo de meninos Guardas-Mirins, tomando posse da sede que seria própria em breve. Oh! Que sensação de vitória, de alegria, de missão em parte cumprida.”

          Epaminondas Xavier de Barros, Histórias dentro da História, p. 76

          O prédio era bonito, mas estava vazio: faltavam móveis, máquinas e utensílios. Então cada um ajudou como pôde.

          Senhoras da Casa da Amizade, diretores do IEDC e três guardas mirins uniformizados no ato de doação do patrimônio
          Doação do patrimônio pela Casa da Amizade, representada por sua presidente, D. Doroty Rocha, em 30 de junho de 1977. Foto de Histórias dentro da História.

          As damas da Casa da Amizade

          Quatro gestões trabalharam firmes na construção, com campanhas em nome da Guarda Mirim. As presidentes, pela ordem, foram D. Nilza Neme, D. Myrthes Laydane, D. Dinoráh Moro e D. Clice Kossatz. O pavilhão e o lote sob ele foram doados na gestão de D. Doroty Rocha, em 30 de junho de 1977, seguida pela de D. Ecléa Horn. Os outros quatro lotes foram doados na gestão de D. Ana Maria Batista.

          Os “tios” dos meninos

          Faziam as vezes de família para os meninos. Eram o engenheiro Giogy Von Bivenicskó e a professora Johana, recém-casados, o Edson Souto Sampaio, e o Logullo e a Neli, que moravam na sede antiga no lugar da Vó Cristina, afastada por doença. Esse grupo cortou madeira, lixou e bateu pregos para fazer os beliches, sempre cantando e brincando.

          Mãos na obra

          Jan Fijor, pedreiro e carpinteiro, “mais voluntário que empreiteiro”, morou na sede nova enquanto durou a reforma. As professoras Roselys, Valderez, Iara e Ana Maria fizeram campanha junto à Loja Maçônica Amor e Caridade. Por intermédio do Tenente Irapuan, tesoureiro voluntário e maçom, a loja doou uma geladeira comercial e um fogão industrial.

          Frederico e Eliane Scheffer

          O refeitório e os dormitórios

          Os tesoureiros do Instituto, Ramiro e Rony, conseguiram mesas e bancos para o refeitório. A Metalúrgica Águia, dos companheiros de diretoria Eliane e Frederico e do irmão dele, Ferdinando, doou armários de aço e beliches. Na foto, Frederico e Eliane Scheffer.

          Grupo de Costuras e Bordados “Irmão Rolando”

          D. Rony reuniu um grupo de senhoras e deu a ele o nome de “Irmão Rolando”, em homenagem ao filho que desencarnou aos 18 anos num acidente. O grupo confeccionava costuras e bordados, e o dinheiro das vendas comprava o tecido dos uniformes, que elas mesmas costuravam sob medida para cada guarda mirim. As senhoras eram espíritas e de outras crenças, mas todas liam o Evangelho e faziam uma prece antes do trabalho. Ao final, as espíritas aplicavam passes em quem procurava e nos meninos que desejavam.

          Fonte: Epaminondas Xavier de Barros, Histórias dentro da História (IEDC, 1999), p. 75 a 77.

          Nossa História

          Epaminondas Xavier de Barros, o Seu Barros

          Aqui, o Espiritismo chegou um pouquinho depois da assistência social. Esta é a história de quem semeou as duas.

          Epaminondas Xavier de Barros, apelidado de Tareco, nasceu em 1927 em Marrecas dos Índios, na comarca de Guarapuava. Era filho de Mário Xavier de Barros, jornalista e professor que ensinava de graça até as crianças indígenas da região, e de Noemia Maciel de Lima. Ainda adolescente, mudou-se com a família para Ponta Grossa. Trabalhou como engraxate, serviu no Exército e, depois de se casar com Dona Diva em 1949, tornou-se ferroviário. O casal teve as filhas Telma do Rocio e Estela, o filho Marcos Aurélio e acolheu como filha Maria da Graça.

          A Maçonaria

          Em julho de 1958, Seu Barros foi iniciado na Ordem Maçônica, na Loja “Amor e Caridade”, do Grande Oriente do Brasil, pelas mãos de Agenor Carneiro Quadros. De espírito cívico e universalista, não aceitava dogmas nem sectarismos. Via na Maçonaria o ideal da fraternidade universal, resumido na máxima “Ama teu próximo”. Foi essa loja que, anos depois, abrigaria os primeiros meninos da Guarda Júnior.

          Dois irmãos maçons, com chapéu e avental, ao lado do estandarte da A∴R∴L∴S∴ Epaminondas Xavier de Barros
          O estandarte da loja que leva o nome de Seu Barros

          Em sua homenagem, em 20 de agosto de 2025, foi fundada a A∴R∴L∴S∴ Epaminondas Xavier de Barros, federada ao Grande Oriente do Brasil e jurisdicionada ao GOB-PR. O primeiro Venerável Mestre da loja foi o filho dele, Marcos Aurélio Xavier de Barros.

          A doença e a primeira sessão espírita

          Naquele tempo, a saúde dele piorava a cada dia: desmaios, náuseas e um nervosismo que o obrigava a controlar até as palavras. O Dr. Júlio Azevedo o mandou fazer exames em Curitiba, que mostraram uma úlcera, e o Dr. David recomendou a operação. Seu Barros fugiu dela. Indicaram-lhe um Centro Espírita, mas ele achava tudo aquilo crendice. Mesmo assim, lembrava que as filhas Telma e Estela tinham melhorado depois que Dona Maria Sovinski, uma senhora católica fervorosa e analfabeta, lhes escreveu receitas com uma destreza impressionante e disse que as crianças eram sadias e que o doente era ele. Lembrava também do colega Pedro Ventura Neto, espírita e médium, que o aconselhava a frequentar um Centro.

          Numa sexta-feira, o compadre Otávio Rosas Filho, com a ajuda de Dona Diva, o convenceu a ir ao Centro dos Srs. Legat e César Vilela, nos altos de uma loja da Rua Coronel Dulcídio. Logo começou a se sentir mal. O Sr. Legat o chamou à mesa, uma moça começou a ler O Evangelho segundo o Espiritismo, e Seu Barros perdeu os sentidos. Acordou no chão, ao lado de uma cadeira quebrada, envergonhado e decidido a nunca mais voltar. O Sr. Legat explicou que aquilo era mediunidade sem conhecimento, e César Vilela recomendou que ele estudasse as obras espíritas, deixasse os vícios e se dedicasse ao bem.

          Mais tarde, num grupo junto à casa do amigo Osório Santos, por intermédio da médium Dona Guiomar Neves, o Espírito que o perseguia se manifestou e contou a razão do seu ódio, que vinha de uma existência passada. Esclarecido e consolado, deixou de atormentá-lo e, bem mais tarde, comunicou-se de novo para dizer que já fazia parte da equipe espiritual que participaria do grande trabalho.

          A receita espírita

          Ainda desconfiado, depois de uma noite de vômitos, tonturas e dores, Seu Barros foi mandado pelo sogro, Jovino, à casa do Sr. Guaracy Paraná Vieira. Guaracy ouviu com paciência toda a história, sentou-se, concentrou-se e escreveu num papel uma “receita”, pedindo que ele a levasse à Livraria Espírita ou ao Sr. Álvaro Holzmann, no Albergue Noturno. Na receita estava escrito:

          “O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno.” Ali estava o remédio não só para seus sofrimentos, mas os de toda a humanidade.

          Epaminondas Xavier de Barros, Tareco: história de uma vida, p. 121

          Álvaro Holzmann, já quase cego, pediu que o próprio Seu Barros encontrasse os livros na prateleira. Embrulhou-os com calma e o convidou para os estudos e os passes da SEFAN.

          A Mansão Bezerra de Menezes e a Casa Transitória

          Voltando para casa com os livros, distraído, Seu Barros tomou o caminho oposto e foi parar em frente à Mansão Bezerra de Menezes, um lar de meninos de que nunca tinha ouvido falar. Ali estava um grupo liderado pelo Sr. Lycurgo Negrão, que o convidou a acompanhá-los até a Casa Transitória “Fabiana de Jesus”, nome da mãe do Dr. Bezerra de Menezes. Era um setor da Mansão que nascia junto à favela do Olho d’Água João Maria de Jesus, onde o grupo lia o Evangelho, fazia a prece e distribuía sopa.

          Ali Seu Barros teve as primeiras visões espirituais. Uma delas o marcou para sempre. Uma menina de uns seis anos, de vestidinho roto e pés descalços, atravessou a pinguela com uma lata de sopa. No meio do caminho, o pai, um homem enorme e maltrapilho, derramou a sopa no córrego e disse: “Aparecida, não precisamos, ainda, da esmola de ninguém!”. Seu Barros entendeu que os olhos do Espírito viam personagens de uma vida anterior, nobres de outros tempos, e os olhos do corpo viam a realidade deles agora. Viu também uma grande casa cercada de árvores floridas, com oficinas e muitos meninos, meninas e mulheres trabalhando.

          Lycurgo, tenente do Exército, e o amigo João Haddad, agrimensor, tinham fundado a Mansão para acolher meninos sem família, como se fossem filhos. Ali viviam também a mãe de Lycurgo, a Vó Cotinha, e Dona Alice, coordenadora da casa. Todas as manhãs, antes de ir para o trabalho às oito horas, Seu Barros passava na Mansão para acordar os meninos e tomar um cafezinho com as duas senhoras. Lycurgo o convidou para vice-presidente da nova Casa Transitória. Ele aceitou com a cabeça cheia de planos: artesanato, escolas, posto de saúde. “Queria mesmo, escolas profissionais para todos.”

          Para comprar os terrenos da obra, o Rotary criou a Cabana da Juventude, que vendia uvas das granjas de Ponta Grossa. Os rotarianos Dr. Cyro Martins, Dr. Olavo Alberto de Carvalho, Frederico Ansbach, Rivadavia Clock, Dr. Valente e Dr. Lauro Justus foram os avalistas. Entre os espíritas estavam Lycurgo, Guaracy, Seu Barros, Barbur, Haddad e Walter Pereira da Silva, o Bonato, que emprestava seu jipe para levar os meninos. Com o dinheiro, a diretoria comprou os terrenos do Dr. Celso Nogueira, e Lycurgo e Seu Barros lançaram a pedra fundamental, sob a égide do Dr. Bezerra de Menezes. “E um grito permanente ouvia dentro de mim: SALVEMOS AS CRIANÇAS, SALVEMOS AS NOVAS GERAÇÕES.”

          “Tomou da charrua e não mais olhou para trás”

          Quando começou a ler O Livro dos Espíritos, Seu Barros parecia “devorar” os livros. As perguntas e respostas lhe eram tão familiares que ele as tomou como lembrança de existências anteriores. Deixou a carne, o cigarro e as bebidas e tornou-se vegetariano. Tempos depois, o Dr. Júlio Azevedo pediu novos exames e ficou impressionado: a úlcera tinha desaparecido, sem operação. Seu Barros trabalhava na Secretaria da 4ª Zona Médica da Estrada de Ferro, no Hospital 26 de Outubro, e fez amizade com muitos médicos. Ganhava deles amostras grátis de remédios, que distribuía aos sábados pelos bairros pobres. Num desses sábados, numa favela junto aos trilhos da Central do Paraná, encontrou uma família inteira com hanseníase, sem tratamento. Na segunda-feira conseguiu que o Dr. Bogado, chefe do Centro de Saúde, socorresse os doentes.

          Os seus iniciadores na Doutrina

          Em Histórias dentro da História, Seu Barros agradece “por uma questão de justiça e até de saudade” a quem lhe ensinou os primeiros passos no Espiritismo cristão:

          • Irmão Lycurgo
          • Maria Sovinski
          • Guaracy
          • Legat
          • Aníbal
          • Ester
          • Álvaro
          • Helena
          • Joaquim
          • os meninos da Mansão
          • os favelados da Transitória
          • os meninos da ex-quadrilha “Escorpiões”

          “Deus lhes pague. Vocês foram os meus iniciadores na bendita Seara do Bem. […] Desde que abracei a Doutrina as doenças ficaram esquecidas. Já não tinha mais sofrimentos, dores e desmaios. Em lugar deles coloquei a dedicação à causa do Bem pregado por Jesus.”

          Epaminondas Xavier de Barros, Histórias dentro da História, p. 39 e 40

          Pouco depois, ele entregou o cargo na Casa Transitória, porque o “acaso” o levou a abraçar a causa da criança em outra circunstância, “tanto ou mais dolorosa”.

          O sonho e a manhã no “Cadeião”

          Antes de encontrar os meninos, Seu Barros teve um sonho que mais tarde entendeu como o chamado para a sua missão. Ele o descreveu assim:

          “Vejo-me em um bosque constituído de árvores centenárias. Sob o copado de uma delas está idoso cavalheiro, barbas brancas, vestido à moda do sul, ombros cobertos por pesado poncho. Aproximo-me, sorridente, vestido de branco à moda hindu, com turbante também branco. Paro a sua frente. Sem palavras entrega um rolo de papel semelhante a um papiro. Tomo o rolo de papel e sigo à frente, acompanhado pelo olhar tranquilo do cavalheiro.”

          Epaminondas Xavier de Barros, Histórias dentro da História (1999)

          Algum tempo depois, ao passar em frente à cadeia pública de Ponta Grossa, o “Cadeião”, sentiu um forte impulso de entrar, como costumava fazer aos sábados depois do almoço para levar o Evangelho aos presos. Naquele dia encontrou quinze meninos, de 8 a 15 anos, presos havia mais de uma semana numa mesma cela e alimentados com as sobras da comida dos adultos. Seu Barros procurou o Juiz de Menores e conseguiu a soltura deles. Contou que, naquele momento, via ao seu lado o cavalheiro de barbas brancas e poncho, que lhe dava “uma força nova, uma energia especial”.

          Uma loja maçônica abrigou os quinze meninos e mais cinco encontrados logo depois numa praça. O grupo se instalou numa garagem na Rua 7 de Setembro, aos cuidados de um oficial da Polícia Militar e de sua família. Assim nasceu, em 14 de julho de 1965, a Guarda Júnior, nome provisório da obra que se tornaria a Guarda Mirim. Os meninos foram matriculados na escola, tinham aulas de reforço, alguns começaram a trabalhar em empresas, e as famílias também passaram a ser auxiliadas.

          O nascimento do IEDC

          Em 25 de agosto de 1965 foi fundado o Instituto Educacional Duque de Caxias, para dar forma legal à obra e permitir que outras entidades fossem criadas a partir dela. O nome homenageia o Duque de Caxias, e a primeira unidade, nascida da Guarda Júnior, passou a se chamar Escola de Guardas Mirins Tenente Antônio João, em homenagem ao Tenente Antônio João, herói da Guerra do Paraguai. No início, a obra não era espírita. Era ligada à maçonaria, pela Loja Amor e Caridade, e aos clubes de serviço Lions, Rotary e Casa da Amizade. Seu Barros fazia questão de que ela não se vinculasse a nenhuma religião, apenas aos valores da caridade.

          Duas senhoras da Casa da Amizade ajudaram a encontrar um terreno no Jardim América, oferecido pelo Sr. Ítalo Moro, onde se ergueu o primeiro pavilhão. Dois anos depois, a Casa da Amizade pediu a desocupação do local, e a obra comprou o lote vizinho. Ao medirem os terrenos, descobriram que o pavilhão havia sido construído exatamente no meio, sobre os dois lotes centrais, um de cada instituição. Seu Barros resumiria assim: “A Obra nunca foi dos homens e sim da espiritualidade superior.”

          Nas quatro décadas seguintes, quase vinte entidades nasceram ao redor do IEDC, criadas conforme surgiam as necessidades. Entre elas estão a Aldeia Espírita da Criança, a Esperança Cidade dos Meninos, a Escola Maria Dolores e os centros de estudos e assistência espiritual, como o André Luiz.

          Dona Diva, a eterna companheira

          Dona Diva foi o grande amor da vida de Seu Barros e sua companheira prestimosa nos trabalhos do bem. O desencarne precoce dela, vitimada pelo câncer, abalou profundamente a alma sensível do mestre. A perda deixou sequelas físicas e agravou algumas de suas condições crônicas de saúde. Ainda assim, Seu Barros viveu mais 20 anos, sustentado pelo amor e pelo trabalho diário nas instituições e com os brasileirinhos, para quem direcionou o amor que sentia pela sua eterna Diva. Seu Barros desencarnou em 22 de novembro de 2019.

          Poemas de Seu Barros para Dona Diva

          Seu Barros conheceu Dona Diva num baile, aos 19 anos, quando ainda servia no Exército. Contou esse amor em versos no livro A nossa história.

          Primeiro encontro

          Dezenove anos apenas, tinha eu então,
          Quando grato, encontrei da minha vida
          A almejada e suprema revelação!
          Mãe dos filhos meus, por Deus me concedida.

          A bússola, o apoio, meu sustentáculo
          Nos caminhos da existência a ser vencida;
          No norte, no sul, (segundo o oráculo);
          No oeste, no leste, a luta seria renhida!

          Viril, levava a vida na displicência...
          Garboso militar do exército eu era,
          Ufano do porte e da bela aparência!
          Por isso, tantas lindas noivas tivera.

          A noiva de então, comigo tinha paciência:
          Por sobre seu ombro observo, ao dançarmos,
          Negros olhos buscando-me com insistência!
          Pressinto: (Em outra vida já nos encontramos).

          Lindas tranças descem à delgada cintura;
          Olhar persistente prenunciando paixão!
          Deixam o baile: Magoado o par, em desventura;
          Furtiva me acena, marcando meu coração!...

          (Não se recebe prêmio antes da disputa:
          É preciso ser vitorioso, muito trabalhar;
          Ser forte, capaz de lapidar a pedra bruta,
          Experiência obter e o Bem valorizar)!

          Segundo encontro – nosso romance

          Corre o tempo: Indago dos amigos, não a conhecem;
          Busco, não encontro! Buscarei sempre, não desistirei!
          Quando, na praça, sinto como se me observassem:
          Volto-me, oh! Aquele olhar! Chama-me, não resistirei!...

          Tocam-se nossas mãos em emocionado cumprimento;
          As palavras são balbuciadas com sofreguidão:
          (Místico, sinto o destino começar seu andamento!).
          Saudoso amor alenta minh’alma, em suave canção!

          Devagar, íamos ao seu lar, não querendo chegar;
          Sentia o coração pulsar as palavras fugirem;
          Inseguros, temíamos o mal surgir e nos separar,
          Obstando a fé e o bem, nossos sonhos realizarem!

          Assumido o invejado, mas prazeroso namoro,
          Amigos me avisaram quando ela lhes apresentei,
          A reconheceram virtuosa, honesta com muito decoro,
          Para não lhe dar tratamento que às outras dei.

          Quando não exigidos os meus serviços militares,
          Passeávamos, à noite, mãos dadas, frente a sua casa,
          Então, falávamos do futuro, dos sonhos e cismares
          E da morada do céu, após o amor dar-nos as asas!

          Surge o teste para nossos sentimentos, nosso amor:
          Em campanha sou acometido de grave doença,
          Conduzido ao hospital em Curitiba, com muita dor;
          Ali, fiquei por meses, carente da sua presença.

          Baixa do exército, desemprego, à frente abismo!...
          Curado, retorno aos braços, à vida, aos beijos seus;
          O lar eu quero; o futuro enfrentar, com realismo.
          Busco emprego onde nasci, entre parentes meus.

          Imaginei encontrar labor e o lar construir;
          Porém, o anticristo que minha família dali afastou,
          Lá estava vivo, alma negra, ávido para destruir;
          Tentou levar-me ao mau caminho: Ao vício que ali plantou.

          Trabalho não havia, cartas da amada me chamavam;
          A intuição lhe dizia, a vida que longe eu levava!
          Saudoso voltei; Campos Gerais dadivosos me abraçavam;
          A doce noivinha, nos meus braços, de alegria chorava.

          À Diva

          Na ascensão para a liberdade completa, absoluta,
          Deus, sapiente e bom, une a dois os filhos seus,
          Que de mãos dadas seguem, felizes, empreendendo a luta,
          Para a construção do amor, primeiro nos próprios eus.

          Nós dois unidos, na vida terrenal caminhamos:
          Fizemos o lar – humilde, simples, por isso feliz;
          Aquele mesmo ninho que no noivado sonhamos;
          Construído está e guarda anseios de mais luz.

          Aos filhos e netos de agora, juntamos,
          No evangelho, os filhos espirituais,
          De ontem e, com todos, a vida trilhamos.

          Erguemo-nos em preces a Deus pela tua saúde e tua paz,
          No teu aniversário em que te homenageamos,
          Agradecendo tua ternura, que tanto bem a todos faz.

          Salve 31/12 – Do companheiro de ontem, de agora, de sempre.

          Fonte: Epaminondas Xavier de Barros, A nossa história, p. 13 a 15 e 77.

          50 anos

          Para meus pais, de seu filho

          Tempo no espaço da vida
          Na lida do dia a dia
          Nesse exemplo que reluz
          No amor que conduz à luz

          Páginas brancas que do um
          Formaram o grande livro
          Dos cinquenta ...

          Essas páginas que contêm
          Os contos do tempo
          Na história de tantas vidas
          Destas vidas desse exemplo
          Que são vocês ...

          Nesta vida de conquistas
          Das dores do físico
          Vejo o exemplo de Cristo
          Espelhado em suas vidas ...

          Obrigado por tudo
          Queridos Pais
          Pela vida de vocês
          Que nesta dignidade
          Sempre estará presente
          Em nossas vidas.

          Marcos Aurélio Xavier de Barros, aos pais, Seu Barros e Dona Diva, pelos 50 anos de casamento

          Para meu pai

          Cabelos brancos cor de algodão
          Algodão que vem do cansado coração
          Na coragem do tempo da vida
          Na lida gentil e juvenil do íntimo ...

          Passa vovô e mostra
          Seu dinamismo que outrora
          Mais do que nunca foi firme na vida
          E nesse exemplo és o caminho de tantos ...

          De tantos caminhos
          De tantas lembranças
          De tantos sorrirem
          De tantos sentirem ...

          E de tudo isso ao te ver
          No cabelo cor de algodão
          E o coração do tamanho do mundo
          És para tantas vidas, uma lição.

          Marcos Aurélio Xavier de Barros, filho de Seu Barros

          Fundou vários centros espíritas e foi conselheiro da União Regional Espírita da 2ª Região. Também foi cofundador dos Alcoólicos Anônimos no município e participou dos conselhos municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e de Entorpecentes. Escreveu livros e destinou o resultado das vendas às obras que ajudou a criar.

          O sonho do Seu Barros. Em seu próprio depoimento, Seu Barros conta o sonho do cavalheiro de poncho e a manhã em que encontrou os meninos no presídio. Vídeo na íntegra, publicado originalmente por Marcos Barros.
          1. Nasce o primeiro grupo espírita de Ponta Grossa, o Grupo Allan Kardec, que se une ao Grupo Francisco de Assis e forma a SEFAN, filiada à FEP.
          2. Nasce Epaminondas Xavier de Barros, em Marrecas dos Índios (Guarapuava).
          3. Iniciação na Loja Maçônica “Amor e Caridade”, do Grande Oriente do Brasil.
          4. A “receita espírita” de Guaracy Paraná Vieira leva Seu Barros às obras de Kardec. Ele começa a trabalhar na Mansão Bezerra de Menezes e na Casa Transitória Fabiana de Jesus.
          5. Fundação da 2ª União Regional Espírita, em Ponta Grossa.
          6. Os meninos retirados da cadeia pública dão início à Guarda Júnior, que depois se tornaria a Guarda Mirim.
          7. Fundação do Instituto Educacional Duque de Caxias (IEDC).
          8. Dona Rony se une ao trabalho com os meninos. Do passe que ela aplica neles nasce o Centro André Luiz.
          9. Elaboração do “Manual de Aplicação” (PBDE e COEM), base dos estudos doutrinários e mediúnicos do Centro.
          10. A Casa da Amizade, presidida por D. Doroty Rocha, doa o patrimônio da sede ao IEDC.
          11. Seu Barros recebe o título de Cidadão Pontagrossense, entregue pelo prefeito Romeu de Almeida Ribas.
          12. Seu Barros recebe da Assembleia Legislativa do Paraná o título de cidadão benemérito.
          13. Aprovação do Regimento Interno do Departamento Doutrinário “Emmanuel”.
          14. Desencarne de Epaminondas Xavier de Barros, o Seu Barros.
          15. Desencarne de Gilson Samways da Rocha, coordenador doutrinário do Centro por muitos anos.
          16. Desencarne de Alcides Madalozzo (Tico), presidente do IEDC, em serviço pela instituição.
          17. Desencarne de Dona Rony Fecci Piekarski, a “mãezinha” dos dois lados da vida.
          18. Fundação da A∴R∴L∴S∴ Epaminondas Xavier de Barros, tendo como primeiro Venerável Mestre o filho Marcos Aurélio.
          19. A Guarda Mirim completa 60 anos e atende mais de 420 crianças e adolescentes.
          20. Desencarne de Jocyr Madalozzo, trabalhador das primeiras horas e organizador da fazenda orgânica da Cidade dos Meninos.

          Memórias em fotos

          Seu Barros, a família, os brasileirinhos e os irmãos

          Seu Barros recebe o título de Cidadão Pontagrossense das mãos do prefeito Romeu de Almeida Ribas, em 2 de agosto de 1982
          Seu Barros e Dona Diva, o grande amor da sua vida, com a família
          Seu Barros com um pequeno no colo
          Seu Barros com um guarda mirim, diante da Bandeira Nacional
          Natal em família
          Seu Barros entre as crianças atendidas pelas obras do IEDC
          A formatura dos guardas mirins, a inauguração do Pátio de Instrução Nilza Neme, em 21 de agosto de 2004, e o sorriso do Seu Barros
          Sessão solene na Maçonaria, entre os irmãos da Loja

          Seu Barros e Dona Rony Fecci Piekarski, sorridentes, em uma solenidade da Guarda Mirim; ela segura um buquê de flores brancas
          Seu Barros e Dona Rony em solenidade da Guarda Mirim

          Fundadores e pioneiros

          Os que semearam esta obra

          Epaminondas Xavier de Barros

          Seu Barros · fundador do IEDC e da Guarda Mirim · 1927–2019

          Ferroviário e espírita, transformou as visitas fraternas à cadeia pública em uma obra que há mais de seis décadas acolhe crianças, jovens e famílias de Ponta Grossa.

          Rony Fecci Piekarski

          Dona Rony · a “mãezinha” · pioneira do Centro André Luiz · desencarnou em 16/07/2024

          Trabalhou por mais de 60 anos na obra. Foi pelo passe que ela aplicou nos meninos que nasceu o Centro André Luiz. Foi tesoureira do Instituto ao lado de Seu Ramiro e fundou o grupo de costuras e bordados “Irmão Rolando”.

          Frederico e Eliane Scheffer, abraçados e sorridentes

          Frederico e Eliane Scheffer

          Frederico Nicolau Scheffer e Eliane Soave Scheffer · apoiadores e mantenedores das obras do IEDC

          Casal espírita, esteve ao lado do IEDC desde o início e continua presente até hoje, ajudando com trabalho material e espiritual. Foram companheiros de diretoria nos primeiros tempos da obra. Quando o Quartel-Escola da Guarda Mirim ficou pronto e vazio, a Metalúrgica Águia, deles e do irmão de Frederico, Ferdinando, doou os armários de aço e os beliches dos meninos.

          Em 1974, fundaram em Ponta Grossa a Metalúrgica Scheffer, hoje Scheffer Sistemas de Armazenagem, conduzida pelos filhos Marcelo e Fabiano e já pela terceira geração da família. A família Scheffer sempre foi uma grande apoiadora e mantenedora das obras sociais do Instituto.

          Retrato de Jocyr Madalozzo

          Jocyr Madalozzo

          Trabalhador das primeiras horas · desencarnou em 16/09/2026

          Espírita dedicado e trabalhador do bem, esteve na instituição desde os primeiros tempos e nunca deixou de apoiar o IEDC. Dedicou os últimos anos da existência, ao lado do filho Alcides Madalozzo e do neto Felipe, aos cuidados da fazenda de produtos orgânicos da Esperança – Cidade dos Meninos.

          Com seu conhecimento agronômico, sua força e seu dinamismo, características que também marcaram o filho, organizou todo o novo projeto da fazenda.

          Alcides Madalozzo discursando ao microfone

          Alcides Madalozzo (Tico)

          Presidente do IEDC · empresário, líder e visionário · desencarnou em 25/10/2023

          Chegou à presidência do Instituto enquanto lutava contra um câncer devastador. Empresário brilhante, organizador e líder, tinha um pensamento e uma ação tão rápidos que muitos não conseguiam acompanhá-lo. Proativo, buscava recursos e parceiros para tornar a instituição mais forte e organizada, sempre pensando no bem das crianças.

          Mesmo com a doença, não se deu nenhum dia de descanso no trabalho do bem que abraçou. Criou inúmeros projetos e é o responsável pela instituição nos moldes em que ela se encontra hoje. Desencarnou em serviço pela instituição, assim como Seu Barros.

          Todos nos tornamos devedores desse Espírito valoroso. Com certeza, Tico retornou à pátria verdadeira muito mais iluminado pelo bem que semeou no caminho de tantos brasileirinhos.

          Alcides Madalozzo, sorridente, à mesa com guardas mirins uniformizados num jantar
          Tico entre os guardas mirins, em um jantar com os jovens da Guarda Mirim.
          Retrato de Gilson Samways da Rocha

          Gilson Samways da Rocha

          Trabalhador das primeiras horas · coordenador doutrinário · desencarnou em 22/02/2021

          Esteve presente na instituição dos estudos do Centro André Luiz e trabalhou por muitos anos no grupo mediúnico Perseverança. Foi coordenador doutrinário do Centro por muitos anos, e muitos dos atuais trabalhadores aprenderam a Doutrina com ele, nos estudos da mediunidade que conduzia. Foi ele um dos que explicaram os fundamentos da Doutrina ao pesquisador Marino Godoy, que lhe agradece na dissertação O Espiritismo em Ponta Grossa (UFPR, 2007).

          Fundadores e pioneiros

          História da Dona Rony

          A mãezinha dos dois lados da vida e o nascimento do Centro André Luiz

          Dona Rony e Seu Barros, já idosos, abraçados e sorridentes no salão do Centro
          Dona Rony e Seu Barros, companheiros de mais de 60 anos de trabalho

          Dona Rony, casada com Seu Ramiro, era católica praticante. Numa viagem de automóvel com os dois filhos, a família sofreu um acidente, e o filho Rolando desencarnou, aos 18 anos. Alguns meses depois, ela começou a sentir formigamento e movimentos involuntários nas mãos enquanto cozinhava. Foi ao médico, mas não houve diagnóstico.

          Em busca de respostas, chegou à Sociedade Espírita Francisco de Assis (SEFAN). Ali foi atendida em diálogo fraterno pelo Seu Barros, que já havia começado o trabalho da Guarda Mirim com os jovens e precisava de ajuda. Naquela conversa, Dona Rony descobriu que o que sentia eram sinais de uma mediunidade em eclosão. Ao seu lado estava o filho Rolando. Ele a incentivava ao trabalho e contava que sua desencarnação já era programada: os dois trabalhariam juntos, cada um de um lado da vida, a serviço de Jesus no atendimento aos filhos do Calvário.

          Dona Rony iniciou os estudos espíritas na SEFAN e o trabalho social na Guarda Mirim. Seu Barros sempre deixou claro que o IEDC não se vinculava ao Espiritismo, apenas aos valores da caridade que os espíritas verdadeiros professam. Por isso, mesmo convertida à nova fé, ela não praticava o Espiritismo na instituição.

          Um dia, com os meninos especialmente difíceis, ela os sentou sobre as sacas de feijão, farinha e arroz e aplicou neles um passe calmante. O ambiente se encheu de uma paz indizível, que se tornaria a marca da presença dela e lhe daria os apelidos de “mãezinha” e “santinha”. Mesmo assim, Dona Rony se sentiu culpada, porque Seu Barros não queria religião na obra social. Tomada de remorso, contou a ele sua “travessura”. A resposta dele surpreendeu:

          “Já era hora de iniciarmos os trabalhos do Centro.”

          Seu Barros, ao ouvir o relato de Dona Rony

          Seu Barros recebeu bem a “travessura” porque a ideia já vinha amadurecendo nele. Naquela época, ele trabalhava no Grupo Espírita “Libertação”, sob a presidência espiritual do Dr. Dias da Cruz, que funcionava no prédio Hugo Reis, da SEFAN, onde hoje fica a sede da URE. Era uma multidão de necessitados buscando ajuda e outra multidão de trabalhadores dos vários grupos nascidos do “Libertação”. Certo dia, o amigo Álvaro Holzmann observou:

          “Você não observa que está criando um Centro dentro de outro Centro?”

          Álvaro Holzmann a Seu Barros, em Tareco: história de uma vida, p. 150

          Seu Barros refletiu sobre isso e conversou demoradamente com os companheiros dos estudos doutrinários e do movimento espírita. Concluiu que devia fundar um novo Centro, deixando na SEFAN os grupos que já trabalhavam ali. O prédio que a Casa da Amizade construía para a Guarda Mirim estava pronto, e uma das salas grandes, destinada às oficinas, continuaria vaga por muito tempo. Faltava o sinal para começar. O passe da Dona Rony nos meninos foi esse sinal.

          Assim, embora no início Seu Barros não quisesse que a religião se tornasse uma barreira na assistência social, o Espiritismo não levou mais que alguns meses para entrar na instituição. A caridade abriu o caminho, e a Doutrina veio logo depois, para sustentar a obra por dentro.

          Assim nasceu o Centro André Luiz. Nos 60 anos seguintes, Dona Rony trabalhou fielmente ao lado do filho Rolando, de Jesus, do Dr. Bezerra de Menezes e do seu “séquito de abelhinhas”, como chamava as velhinhas costureiras que, inspiradas pelo amor dela, tricotavam para as crianças da instituição.

          A construção do Centro e seus personagens

          O Centro começou com diálogo fraterno, passes e palestras em dia especial. Os primeiros trabalhadores foram João Maria e Cléia, Ramiro e Rony, Celina e suas filhas, e as professoras dos meninos Roselys e Valderez. Vieram também Elias e suas filhas Joseli e Josélia, Renato, Leopoldo, Regina, Mário, Dirceu e Jane, Clara, Valmenci, Divardim, Cosmina, Maria Teresa, Gilda, Maria Itália, Beatriz, José, Swami, Iradí e seus pais Dimas e Iracy, e Maria da Penha (Lia), a mola mestra da instalação das oficinas e da marcenaria.

          O prédio de dois pavimentos do Centro foi erguido sob a orientação de Seu Ramiro, tesoureiro voluntário do IEDC, que administrava os recursos “que chegavam gota a gota” pelas campanhas. A parte técnica ficou com o irmão Orestes Fecci, pai de Dona Rony. Quando a programação doutrinária foi organizada, o grupo do diálogo fraterno formado por Rony, Ramiro, João Maria e Cléia continuou atendendo também no prédio Hugo Reis.

          Foi esposa devotada de Seu Ramiro, que esteve ao seu lado até os últimos momentos da sua existência. Desencarnou em 16 de julho de 2024. Deixou na Terra o filho Rogério, a nora Wilce e os netos Ângela, Átila, Aquiles e Álamo. Eterna mãezinha dos sofredores dos dois lados da vida.

          Obras do Seu Barros

          Os livros que ele deixou

          Seu Barros escreveu sobre a própria vida, a obra social e a fé. O resultado das vendas sempre foi destinado às instituições que ajudou a fundar.

          • Tareco: história de uma vidaAutobiografia, de Marrecas dos Índios ao Departamento Emmanuel (IEDC, 2000).
          • Histórias dentro da HistóriaA história das entidades do IEDC, da Guarda Júnior aos dias de hoje (IEDC, 1999; 2ª edição pela Estúdio Texto, série Memórias).
          • Vinhas da CaridadeHistória do Instituto Educacional Duque de Caxias e seu trabalho de promoção humana e social, com Marino Luís Michilin Godoy.
          • A nossa históriaPoemas, entre eles os dedicados a Dona Diva.
          • Ensaio ao Evangelho do Aprendiz MaçomReflexões que unem o Evangelho e o ideal maçônico.

          Para adquirir os livros, procure o IEDC.

          Capas dos cinco livros de Epaminondas Xavier de Barros
          As cinco obras de Epaminondas Xavier de Barros
          Benfeitores em vestes brancas junto à cidade espiritual
          Amparo e inspiração dos obreiros do bem

          Quem somos

          Ligados ao IEDC e à Federação

          O Centro André Luiz é um dos centros de estudos e assistência espiritual do Instituto Educacional Duque de Caxias (IEDC), fundado em Ponta Grossa em 25 de agosto de 1965, ao lado da Escola de Guardas Mirins “Tenente Antônio João”. Seguimos o Regimento Interno do Departamento Doutrinário “Emmanuel” (2018) e as orientações da FEB e da FEP.

          Movimento espírita e unificação

          Uma casa ligada a toda a família espírita

          O Espiritismo chegou organizado a Ponta Grossa em 2 de fevereiro de 1911, com o Grupo Espírita Allan Kardec, fundado por dois militares do 5º Batalhão de Infantaria, o Tenente Joaquim Theopompo Godoy de Vasconcelos e o Sargento Alberto Lopes. Em 1912 o grupo se uniu ao Grupo Francisco de Assis e formou a SEFAN, que logo pediu filiação à Federação Espírita do Paraná. Sebastião Paraná, um dos fundadores da FEP, veio à cidade fazer uma palestra para celebrar a filiação.

          Desde 1949, com o Pacto Áureo, as federações estaduais trabalham unidas no Conselho Federativo Nacional da FEB, no espírito de unificação proposto por Bezerra de Menezes. No Paraná, a FEP se organiza em Uniões Regionais Espíritas. A 2ª URE foi fundada em Ponta Grossa em 13 de março de 1965, poucos meses antes do IEDC. Ela reúne, orienta e acompanha as casas espíritas dos Campos Gerais e incentiva as mocidades espíritas da região. Guaracy Paraná Vieira, que apresentou a Doutrina ao Seu Barros, presidiu a 2ª URE várias vezes.

          Dentro do IEDC, o Departamento Doutrinário “Emmanuel” orienta os centros de estudos e assistência espiritual e mantém o vínculo de todos com a 2ª URE e a FEP.

          Capa do livro Os Trabalhadores da Primeira Hora, de Fábio Maurício Holzmann Maia

          Para conhecer mais

          Os Trabalhadores da Primeira Hora

          Um olhar sobre os cem anos de Espiritismo nos Campos Gerais

          De Fábio Maurício Holzmann Maia, publicado pela Federação Espírita do Paraná. A obra reúne o estudo completo da história do Espiritismo em Ponta Grossa e na região, desde os primeiros grupos.

          Fábio Maurício Holzmann Maia e a esposa, Silvana

          Sobre o autor

          Fábio Maurício Holzmann Maia

          Na foto, com a esposa, Silvana.

          Nascido em Ponta Grossa em 1962, é professor de História da rede estadual, historiador e mestre em Ensino de História pela UEPG. Foi militar do Exército, onde serviu como Sargento Músico nas bandas do 13º Batalhão de Infantaria Blindado e da 3ª Divisão de Exército, e segue na música como clarinetista e saxofonista.

          Presidiu o Centro Cultural Professor Faris Michaele (2019–2021) e ocupa a Cadeira nº 13 da Academia de Letras dos Campos Gerais desde 2016. É autor de livros históricos, romances espíritas e obras infantis, como Santos Dumont veio a Ponta Grossa, e escreveu, a convite da FEP, a biografia de Lycurgo Negrão.

          É neto do maestro Álvaro Holzmann, que vendeu a Seu Barros seus primeiros livros espíritas e, anos depois, o fez perceber que estava “criando um Centro dentro de outro Centro”. Foi essa observação que levou Seu Barros a fundar o Centro André Luiz.

          1. FEBFederação Espírita Brasileira · Rio de Janeiro, 1884 · Conselho Federativo Nacional desde 1949
          2. FEPFederação Espírita do Paraná · Curitiba, 1902
          3. 2ª UREUnião Regional Espírita · Ponta Grossa, 1965 · Ponta Grossa, Arapoti, Carambeí, Castro, Ipiranga, Irati, Jaguariaíva, Palmeira, Piraí do Sul, Rebouças, Reserva, Telêmaco Borba e União da Vitória
          4. IEDCDepartamento Doutrinário “Emmanuel”
          5. Centros de Estudos e Assistência EspiritualAndré Luiz · Nosso Lar · Maria Dolores · Deus, Cristo, Caridade · Maria de Nazaré

          Presidentes do IEDC

          Quem conduziu o Instituto desde 1965

          1. Epaminondas Xavier de BarrosFundador
          2. Pedro Campos
          3. Coronel Luiz Carlos de Carvalho
          4. Rosemary Gonçalves
          5. Alcides MadalozzoTico · modernizou a gestão e os projetos da instituição. Também foi diretor doutrinário do Departamento Emmanuel e assinou o Regimento Interno de 2018
          6. Armando Madalozzo Vieira
          7. Thiago Henrique Jacon ChavesPresidente atual

          O símbolo do IEDC

          Trabalhar, Estudar, Progredir

          O triângulo dourado traz nos lados o lema do Instituto. No vértice, a estrela; ao lado, a espiral que sobe até ela.

          O azul-celeste
          O infinito, o Universo.
          A estrela de cinco pontas
          O homem na escola de aperfeiçoamento.
          O branco-prateado
          A paz verdadeira.
          O amarelo-ouro
          A evolução espiritual.
          O triângulo
          A perfeição.
          A espiral
          O caminho seguido pelo Homem-Espírito através dos milênios.

          Significados: Epaminondas Xavier de Barros, Histórias dentro da História, p. 18.

          Símbolo do IEDC: triângulo amarelo-ouro com as palavras Trabalhar, Estudar e Progredir, estrela branca no vértice e espiral sobre fundo azul-celeste
          Símbolo do Instituto Educacional Duque de Caxias
          Emblema da Guarda Mirim do IEDC com três crianças dentro do triângulo
          Emblema atual da Guarda Mirim
          Bandeira histórica do IEDC em foto preto e branco
          A bandeira original, em foto do livro
          Menino segura a Bandeira Nacional em frente à fachada da Escola de Guardas Mirins Ten. Antônio João
          Sede do IEDC e Quartel-Escola da Unidade de Guardas Mirins
          Como acontecem as palestras públicas
          1. Leitura breve de uma página doutrinária para preparar o ambiente.
          2. Prece inicial feita pelo dirigente.
          3. Palestra de 50 a 60 minutos, baseada na Codificação e em obras reconhecidas pela FEB.
          4. Prece final.
          5. Passe, depois da palestra, para quem desejar.
          Como funciona o passe

          Quem não deseja receber o passe pode sair em silêncio ao fim da palestra. Cada pessoa recebe o passe de um único passista, sem incorporação ou manifestação de Espíritos. Durante o passe, os passistas não dão orientações nem consultas. Quem busca orientação é encaminhado ao diálogo fraterno.

          O que você não encontrará aqui
          • Rituais, imagens, velas, paramentos ou uniformes.
          • Cobrança por qualquer atendimento, rifas, bingos ou bailes.
          • Discussões ou propaganda política.
          • Ataques ou censuras a outras religiões.
          • Comunicação de Espíritos em reuniões públicas. Reuniões mediúnicas são privativas, com trabalhadores preparados.
          Unificação e movimento espírita

          A casa é filiada ao órgão federativo do estado, a Federação Espírita do Paraná, e participa da União Regional Espírita. O Regimento só pode ser modificado de acordo com as resoluções da Federação, no espírito de unificação proposto por Bezerra de Menezes.

          Departamento Doutrinário “Emmanuel”

          O braço doutrinário do IEDC

          O Departamento Doutrinário “Emmanuel” orienta os Centros de Estudos e Assistência Espiritual do Instituto Educacional Duque de Caxias. Ele informa e atualiza as casas sobre o Movimento Espírita e mantém todas ligadas à 2ª União Regional Espírita e à Federação Espírita do Paraná.

          Por que uma escola de Espiritismo

          No Espiritismo, Seu Barros aprendeu que a vida é uma só, interrompida de tempos em tempos pelas existências no corpo físico, na Terra e em outros mundos. Aprendeu também que não existem céu e inferno prontos em lugares determinados. Cada um carrega na própria consciência a felicidade ou a infelicidade que constrói pelo livre-arbítrio.

          Daí concluiu que esses ensinamentos precisavam ser transmitidos como se ensina numa escola: em lugar próprio, com programa e didática adequados ao entendimento de cada um. A inspiração veio do próprio Kardec, que se formou em Yverdon, na Suíça, sob a orientação do educador Pestalozzi.

          O primeiro diretor do Departamento foi o Major Laertes, comandante do Corpo de Bombeiros, apresentado a Seu Barros pelo Capitão Luiz Carlos de Carvalho, levado por Freitas, tenente dos bombeiros. Espírita militante em Curitiba, o Major aplicava aos iniciantes dois programas: o PBDE (Programa Básico de Doutrina Espírita) e o COEM (Centro de Orientação e Educação Mediúnica). Era o que Seu Barros esperava, a “chegada” de alguém anunciada pelos Espíritos, para fundar em definitivo o Centro André Luiz. A esposa do Major, Elza, e a filha, Luciane, assumiram a Evangelização. A equipe ainda contou com Augusto Beck e sua esposa Terezinha, Gilson Samways da Rocha, Leony Scarpin Colares e o esposo Arnaldo, como tesoureiro. Laertes trouxe para as quintas-feiras as palestras, os passes e o diálogo fraterno, e todas as áreas doutrinárias ganharam novo impulso: diálogo fraterno, visitas aos doentes, grupos de visitadores e socorro aos favelados.

          Seu Barros não se julgou capaz de levar esses ensinamentos ao público sem uma organização séria, dirigida por pessoas de moral ilibada e competência comprovada. Só quando reuniu esse grupo começou a obra. Construiu um prédio próprio na sede central do IEDC e planejou um Centro de Estudos e Assistência Espiritual junto a cada unidade de assistência do Instituto, em diferentes bairros de Ponta Grossa.

          “Os centros se tornaram autênticas Escolas de Espiritismo e de Evangelho, tanto na teoria quanto na prática, pois junto a cada um há pelo menos uma Entidade de Assistência Social.”

          Epaminondas Xavier de Barros, Tareco: história de uma vida, cap. LXI

          Os Centros de Estudos e Assistência Espiritual

          1. Centro “André Luiz”Jardim AméricaO primeiro. Funciona junto à Escola de Guardas Mirins.
          2. Centro “Nosso Lar”Ronda
          3. Centro “Maria Dolores”Jardim Maracanã
          4. Centro “Deus, Cristo, Caridade”Jardim Paraíso
          5. Centro “Maria de Nazaré”Roxo Rois, distrito de Guaragi

          1º programa dos Centros

          Programa Educacional da Doutrina Espírita

          Seu Barros estruturou o programa sobre o resumo da Doutrina que Allan Kardec apresenta na Introdução de O Livro dos Espíritos. Os temas seguem a ordem desse resumo, do conhecimento de Deus à perfeição moral.

          1. Deus e a Criação

            “Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.” Criou o Universo, com todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.

          2. O mundo espírita e o mundo corporal

            “O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.” O mundo corporal é secundário. Os Espíritos revestem temporariamente um corpo perecível, e a morte lhes devolve a liberdade.

          3. Corpo, alma e perispírito

            Há no ser humano três coisas: o corpo, a alma, que é o Espírito encarnado, e o perispírito, o laço semimaterial que une os dois. O Espírito não é abstrato: é um ser real e circunscrito.

          4. A escala espírita

            Os Espíritos não são iguais em poder, inteligência, saber e moralidade. Vão dos puros Espíritos aos imperfeitos, passando pelos que não são nem muito bons nem muito maus, os levianos.

          5. Reencarnação e progresso

            Todos os Espíritos progridem pela encarnação, sempre na espécie humana. “As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas.” A rapidez do progresso depende do esforço de cada um.

          6. A vida depois da morte

            A alma conserva sua individualidade. De volta ao mundo dos Espíritos, reencontra os que conheceu na Terra e se lembra do bem e do mal que fez.

          7. Os Espíritos à nossa volta

            Os Espíritos estão por toda parte e agem sobre o mundo moral e físico. Os bons nos atraem para o bem e nos sustentam nas provas. As comunicações são ocultas, pela inspiração, ou ostensivas, pelos médiuns.

          8. Discernir as comunicações

            Os Espíritos são atraídos pela simpatia moral do meio. Os superiores usam linguagem digna e sempre visam ao bem. “As comunicações sérias só são dadas nos centros sérios, onde reine íntima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.”

          9. A moral dos Espíritos superiores

            Resume-se, como a do Cristo, numa máxima: “fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem”. Não há faltas que a expiação não possa apagar no caminho da perfeição.

          10. Os três reinos e as leis morais

            Os reinos mineral e vegetal, animal e humano. As leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor e caridade, e a perfeição moral.

          11. Esperanças e consolações

            O que a Doutrina ensina sobre as penas e alegrias futuras e a consolação diante das provas da vida.

          12. O Evangelho de Jesus

            Kardec também codificou a parte religiosa e explicou, com o concurso dos Espíritos superiores, as palavras de Jesus. Para Seu Barros, a chave para entender a Bíblia e os Evangelhos está na Doutrina Espírita.

          Fonte: Epaminondas Xavier de Barros, Tareco: história de uma vida (IEDC, 2000), cap. XLI, p. 150 e 151, e cap. LXI, “O Departamento Doutrinário Emmanuel”, p. 212 a 217. Os trechos entre aspas são de Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Introdução.

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